Monday, May 25, 2009

sentidos

amor, calor, torpor
assim pulsa o viver.
dor, suor, tremor
ainda insiste o bater.
pulsa, vibra e anseia mais: quero mais!
descontrole, vibração e porque não um pouco de desilusão?
desacelera, se entrega e extrapola os sentidos
visão?
audição?
oufato-tato? ou
paladar-nenhum?
só o conhecimento expande sua limitação
e com coragem pode encarar a reação.
irá o ser contente e incontido
achar algum sentido no seu mar de sentimentos destorcidos?

Tuesday, May 19, 2009

Confissão

Sim, eu sou feliz. Acordo normalmente de bom humor, tenho vontade de cantarolar uma canção ou simplesmente assovio. Ando sem pressa, observo o meu redor e admiro as pombas tomando sol na grama do parque. Me apaixono pelas flores que nascem com o chegar da primavera, adoro cuidar das minhas unhas e contemplo a lua. Falo de mim e quero ouvir o que os outros têm a dizer. Não, não sinto inveja, nem rancor, nem ciúme. Não de maneira doentia, sinto aquele tanto que me faz crescer, perdoar e cuidar - ou pelo menos tentar. Sim, procrastino, atraso, me culpo e choro, choro frequentemente. Não, não sou perfeita e nem quero ser, deve ser uma chatice.

Wednesday, May 13, 2009

Língua

Língua é uma coisa curiosa. Língua fala, língua sente, língua... Falar uma língua, beijar uma língua, sugar uma língua, morder a própria língua. Dobre a sua língua! Pessoas usam a língua pra se comunicar seja falando ou beijando. Se falam a mesma língua tendem a se agrupar e a achar que se entendem. Quando não falam a mesma língua torcem o nariz. O nariz tem cravos - e/ou meleca, e a língua saliva - e/ou veneno. A língua portuguesa, ou a inglesa, ou a espanglesa, ou a portunhola, qualquer língua, contando que se transmita a mensagem, é meio de co-mu-ni-ca-ção. Falar é ato da língua que pode levar a boca a morder a própria língua que se fala demais prova seu próprio veneno. Cuidado! Falar demais pode dar cãibra na língua!!!

Tuesday, May 12, 2009

Interagir


Quando criei esse blog estava particularmente empolgada com a idéia de falar, aliás, escrever, escrever e escrever sobre tudo e qualquer coisa. Na ocasião já cultivava essas tais anotações despretenciosas em uma agenda adquirida no Brasil, então compilei algumas delas e postei quase tudo de uma vez. Os dias passaram mais que voando e agora vi que 3 meses já se foram e eu não escrevi mais nada, nem sequer na agenda! Por quê? Apesar do cabelo liso, as idéias continuam emboladas na minha cabeça, o que significa que assunto não é o problema... Inspiração eu continuo tendo cada vez que olho a vista da Waterloo Bridge em direção à Westminster onde o Big Ben está estrategicamente posicionado ao lado e um pouco atrás da London Eye... Então já sei! Atitude, esse é o problema. Interagir demanda!

Chegada a conclusão, o que me resta é retomar os planos e reativar a empolgação para então não ficar chateada ao perceber que mais 3 meses se foram, que eu estou de volta ao Brasil e que esse sonho acabou. Claro que ainda poderei escrever, mas essas emoções não viverei novamente.

Friday, February 6, 2009

Quidam


Quidam: um transeunte sem nome, uma figura solitária numa esquina da rua, uma pessoa a passar apressadamente. Podia ser qualquer um. Alguém a chegar, a partir, a viver na nossa sociedade anônima. Um elemento na multidão, um entre a maioria silenciosa. Aquele dentro de nós que grita, canta e sonha.

Fui em busca do meu Quidam! Aquele que está dentro de mim, que canta, que chora e que grita! Aquele que deve sonhar... e sonha, mas se recusa a acordar. Aquele que derrama choro, suspira fundo, viaja longe, sente tudo e transborda, transborda de alegria. Que se embriaga de emoção e não se contém, grita! QUERO MAIS!

Aqui está ele! O meu Quidam! Mal cabe dentro de mim, já derramou e escorre...

Thursday, February 5, 2009

Angústia


O que fazer pra afastar de mim essa angústia que me ronda? Como não encher meu peito de aflição e minha cabeça de caraminholas? Expectativa. Dúvida e... insegurança. Achar porquês pra tristeza. Cavucar dentro de mim à busca de uma razão pra minha melancolia enquanto nada e tudo são, ao mesmo tempo, motivos pra lágrimas escorrerem sem minha autorização.

Saudade


A saudade se incorporou à minha vida. Convivo com ela diariamente. Às vezes ela me enche de alegria, penso tão intensamente em tudo que sinto falta que sou até capaz de acreditar que é só esticar o braço. Aí, de repente, me dou conta que estão todos tão longe... mas dentro de mim e posso buscá-los quando bem quiser.